Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

ALENTEJO I

A vida dorme na sarjeta, contemplando a solidão!...

A solidão no seu silêncio gritante,

num desabafo urbano…

A cidade grita!...

À força da raiva e da vontade

procuro respostas em forma de palavras,

tal é o compromisso com o alfabeto…

E elas surgem,

hesitantes com o peso da culpa…

Quero esquecer a cidade!...

Quero o Alentejo casto, tranquilo e sonhador,

ébrio de sol…

A maciez pincelada de crepúsculo…

O azul é maior e a noite dissipa-se,

o verde é mais verde…

As cores acordam

tal xaile de retalhos com as cores do arco-íris

toando um cântico de sol…

Preciso dessa luz que rasga e dilacera a solidão…

O meu ninho de sonhos

repousa nos braços de uma azinheira…

E se eu fosse ver, comigo, o sol nascer,

espreguiçando o rutilante imaginado…

Os planos brilhantes sucedem-se

entre espigas de silêncio, cruzando o espaço…

E sinto que se prolongam

as palavras de ternura da madrugada

na harmonia do bulício da folhagem ao ritmo do vento…

Sussurra o orvalho

tal prelúdio de um beijo…

E no irrequieto acordar do ribeiro

miro o meu rosto que dança,

reflectido na água…

Quero desenhar em meus olhos

a azáfama sonolenta do orvalho de aurora

na heróica planície

onde toco as nuvens e sinto a paz

que me transporta de mansinho

em pétalas soltas de poesia…

E vou além do infinito…

Infinitamente sedutora

e com lânguidos e alvos risos murmurantes

com beijos húmidos de espuma

retiro a poesia de um bolso

e imortalizo um império de sonhos…

Descasco as palavras e saboreio-as…

seu sabor

é o timbre de canoras carícias…

E prendo o olhar no horizonte

que emana do céu azul celeste!

Mas regresso ao vento que, ao soprar, me murmura destroços…

À cidade que grita!

Porque a maré,

Acaba sempre por voltar…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

 

publicado por Edite Gil às 12:25
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